Cap. 63 (pov. Any)
Helo resolveu sair, o que era muito estranho, pois ela não
saiu com Miguel. Lucas parecia incomodado eu pensei que era por não termos
comida, mas quando ele se levantou e foi para a sacada eu o segui, ele estava
muito estranho. Quando cheguei na sacada ele estava no celular, falando de
Helo, deveria estar falando com Miguel, mas depois de um tempo tudo parecia ter
ficado em um clima bem tenso, então Lucas desligou o celular com certa fúria e
eu o afrontei.
_Por que você falou para o Miguel que a Helo tinha saído? –
perguntei.
_Porque ele tem direito de saber que ela anda saindo às
escondidas fazer sei lá o que! – Lucas gritou me espantei com sua atitude.
_Não é da conta de ninguém o que a Helo faz ou deixa de
fazer Lucas. – falei tentando acalmar os ânimos.
_Passou ser da conta de Miguel assim que ela aceitou ser
namorada dele. – ele falou com petulância.
_Mas você nem sabe para onde ela foi ou o que ela foi fazer.
– tentei lhe mostrar que estava errado. _Ela poderia estar indo encontrar com
uma amiga da faculdade.
_Ela não anda com ninguém além de nós que freqüentamos sua
casa. – ele falou.
_Você não pode saber. – murmurei caminhando para a sala novamente.
_Pare de ser estúpida! – Lucas gritou me seguindo, olhei
para ele incrédula.
_Você me chamou do que? – perguntei tentando manter minha
voz baixa.
_Eu só quis dizer que você não enxerga a maldade nas coisas
Any. – Lucas se aproximou de mim, mas eu me afastei.
_Eu vejo e escuto que você acabou de me chamar de estúpida por
acreditar que minha amiga não foi fazer nada demais. – falei com olhar impassível.
_Não estou acreditando que você vai criar uma briga só
porque eu te chamei de estúpida. – ele falou arrogante.
_Só?! – dessa vez gritei. _Sou sua namorada, aquela que você
disse que ama! E você esta me xingando! – gritei, agora é tudo ou nada.
_Any não foi um xingamento, só foi... Droga! – ele gritou e
atendeu seu celular.
Não prestei muita atenção nele e fui me sentar na poltrona,
eu realmente não suporto que as pessoas me xinguem ou me desrespeitem, é uma
regra, todos temos que manter os respeito e isso Lucas não conseguiu manter
comigo, fiquei emburrada na poltrona até que ele desligou o celular e se sentou
no sofá.
_Miguel ainda não achou Helo, ele esta indo para a praia
procurar por ela, parece que o celular dela está desligado. –Lucas olhou pra
mim. _Parece que a sua amiga está aprontando alguma coisa. – murmurou mudando
de canal.
_Você está se ouvindo?! Nada disso é da nossa conta, deixe
Helo em paz, mas que coisa! – gritei, ele me olhou parecendo um animal feroz.
_Na próxima vez que gritar comigo! – Lucas se levantou
apontando o dedo na minha cara. _Só cale a porra da sua boca! Meu irmão está sendo
enganado por sua amiga! – ele foi até o quarto dela e eu o segui.
_O que você está fazendo! – gritei ignorando a ameaça que
acabará de ouvir.
_Estou vendo se ela tem alguma coisa que possa mostrar com
quem ela está. – ele falou como se fosse normal uma pessoa revirar as coisas de
outra, fui até ele e segurei seu braço.
_Pare com isso! – gritei, ele me encarou, soltou minhas mãos
de seu braço e depois de um longo suspiro falou.
_O que eu disse sobre gritar?! – Lucas não parecia àquele
cara que havia me amado, cuidado de mim, não. Ele parecia um animal, pronto
para abater sua presa.
_Por que você está assim? – perguntei, temendo por mim
mesma.
_Porque eu não vou deixar qualquer vadia acabar com os
sentimentos dele de novo! – ele gritou e me empurrou para fora do quarto me
seguindo.
_Não encoste em mim! – gritei, branca, por seu vocabulário e
por ataque súbito.
_Para de gritar droga! – Lucas gritou e depois deu um soco na
porta do quarto de Helo me afastei e fui para a sala.
Ele ficou lá na porta me encarando, pensando... Eu acho. Eu
estava com tanto medo, ele nunca tinha falado daquele jeito comigo. Gostaria de
ter algum lugar para ficar, algum lugar para me esconder. Depois de algum
tempo, o que me pareceu uma eternidade ele se sentou no sofá, olhando para a
televisão como se nada tivesse acontecido, eu por minha vez abraçava minhas
pernas na poltrona, segurando a vontade de chorar e rezando para que May
aparecesse logo. O clima ainda estava pesado quando a porta se abriu com força
e Miguel entrou arrastando uma Helo que gritava e tinha marcas pelo rosto e
braços, ela olhou para mim e gritou... Meu Deus! Eu jamais esquecerei seu
desespero quando proferiu as palavras “Me ajude!”. Mas quando fiz o movimento
para me levantar Lucas me empurrou contra a poltrona fechado seu punho, achei
que levaria o soco mais brutal de toda minha vida, só que ele respirou e se
sentou no sofá. Eu queria tanto ajudar Helo, queria May ali, naquela hora, e
ela não chegava! E por um momento me senti fraca e desesperada. Gritos e mais
gritos ecoavam do quarto de Helo até a sala, meu rosto gelou, minhas mãos
ficaram tremulas e então ouvi um estrondo, fixei meu olhar na porta da entrada
do apartamento e vi May correndo para dentro, me levantei, mas ela fez um sinal
para mim, então me sentei novamente. Nathan e Jay estavam junto com ela, me
senti segura por eles estarem ali. Olhei para Lucas com desprezo e foi nessa
hora que meu medo se tornou choro e soluços, saltei da cadeira e corri para
Nath e Jay que me abraçaram sem entender nada, eu havia vivido horas de inferno
e agora só queria me sentir em casa.
_Any? – Jay perguntou, sem formular qualquer pergunta, sei
que assim como eu eles estavam preocupados com Helo.
_Só chame Max. – sussurrei. _Eu preciso dele. – lagrimas
desciam por meu rosto.
_Vou fazer isso. – Nath falou e assim discou o numero dele
no celular, algumas palavras trocadas e ele desligou o celular olhando para
mim. _Ele já vem. – sussurrou cúmplice.
O tempo correu e May gritou do quarto de Helo por Lucas,
quando ele foi para lá não demorou para ele voltar com o irmão por cima do
ombro, desacordado e com o rosto desfigurado. Lucas parou na porta do
apartamento e olhou para mim.
_Saí da minha vida e nunca mais volte, você é um monstro! –
gritei jogando as lagrimas para fora de meus olhos, ele assentiu e desapareceu
da minha vista.
May saiu do quarto e Nathan foi ficar com Helo, me joguei no
sofá e desabrochei em choro, May seguiu para seu quarto junto de Jay e eu
fiquei chorando em silencio, esperando que ele chegasse e me colasse em seu
colo e me acalmasse com apenas seu abraço.
Nenhum comentário:
Postar um comentário